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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Psicomotricidade infantil


Nos movimentos da criança se articula toda sua afetividade, desejos e suas possibilidades de comunicação. O que é psicomotricidade? Sua definição ainda está em formação, já que à medida que avança e é aplicada, vai-se estendendo a distintos e variados campos. No princípio, a psicomotricidade era utilizada apenas na correção de alguma debilidade, dificuldade, ou deficiência.

Hoje, vai mais longe: a psicomotricidade ocupa um lugar importante na educação infantil, sobretudo na primeira infância, em razão de que se reconhece que existe uma grande interdependência entre os desenvolvimentos motores, afetivos e intelectuais. A psicomotricidade é a ação do sistema nervoso central que cria uma consciência no ser humano sobre os movimentos que realiza através dos padrões motores, como a velocidade, o espaço e o tempo.

Movimento e atividade psíquica

O termo psicomotricidade se divide em duas partes: a motriz e o psiquismo, que constituem o processo de desenvolvimento integral da pessoa. A palavra motriz se refere ao movimento, enquanto o psico, determina a atividade psíquica em duas fases: a sócio-afetiva e cognitiva. Em outras palavras, o que se quer dizer é que na ação da criança se articula toda sua afetividade, todos seus desejos, mas também todas suas possibilidades de comunicação e conceituação. A teoria de Piaget afirma que a inteligência se constrói a partir da atividade motriz das crianças. Nos primeiros anos de vida, até os sete anos, aproximadamente, a educação da criança é psicomotriz. Tudo, o conhecimento e a aprendizagem, centra-se na ação da criança sobre o meio, os demais e as experiências através de sua ação e movimento.
Estimulação e reeducação
Através da psicomotricidade pode-se estimular e reeducar os movimentos da criança. A estimulação psicomotriz educacional se dirige a indivíduos sãos, através de um trabalho orientado à atividade motriz e as brincadeiras. Na reeducação psicomotriz se trabalha com indivíduos que apresentam alguma deficiência, transtornos ou atrasos no desenvolvimento. Tratam-se corporalmente mediante uma intervenção clínica realizada por um pessoal especializado.

Princípios e metas da psicomotricidade infantil

A psicomotricidade, como estimulação aos movimentos da criança, tem como meta:

- Motivar a capacidade sensitiva através das sensações e relações entre o corpo e o exterior (o outro e as coisas).
- Cultivar a capacidade perceptiva através do conhecimento dos movimentos e da resposta corporal.
- Organizar a capacidade dos movimentos representados ou expressos através de sinais, símbolos, e da utilização de objetos reais e imaginários.
- Fazer com que as crianças possam descobrir e expressar suas capacidades, através da ação criativa e da expressão da emoção.
- Ampliar e valorizar a identidade própria e a auto-estima dentro da pluralidade grupal.
- Criar segurança e expressar-se através de diversas formas como um ser valioso, único e exclusivo.
- Criar uma consciência e um respeito à presença e ao espaço dos demais.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Criancinhas que mentem


Por Içami Tiba
A mentira envolve alguns aspectos que têm que ser levados em conta quando ela é avaliada:

1.O que é uma mentira
2.A criança que mente
3.A quem a criança mente
4.Maneiras que se mente
5.Conteúdos da mentira
6.Intenções da mentira
Dizem os dicionários em geral que mentira é o ato de mentir que, por sua vez, é dizer e afirmar ser verdade o que o mentiroso sabe que é falso. O cuidado que os adultos têm que tomar quando se lida com crianças é diferenciar a mentira do exagero e da omissão.

O exagero é um aumento de um acontecimento, ação, sensação ou pensamento - que chamarei simplesmente de fato. A criança vê um adulto como um gigante pelas proporções físicas. As lembranças de adultos que visitam os locais onde passaram a infância têm que ser redimensionadas. O adulto tem condições de comparar o que significa para uma criança e para um adulto percorrer o mesmo corredor. A criança percebe o fato com as suas dimensões corporais e competências mentais e emocionais. Uma criança que visite um zoológico e veja o tamanho do material fecal de um elefante fica impressionadíssima, pois é quase do tamanho dela.

A omissão é quando a criança deixa de falar sobre o fato. A criança pode nem ter reparado no elefante, pois o que mais lhe chamou a atenção foi o material fecal. A omissão é quando viu o elefante mas nada fala sobre ele.

Uma criança acredita no Dumbo, o elefantinho que voa batendo suas orelhas, personagem consagrado mundialmente pelo desenho animado produzido pela Disney em 1941 (baseado na obra Helen Aberson e Harold Perl), como acredita em Papai Noel. Ela poderia contar que viu um elefante voando após visitar o zoológico. É um exagero se ela conhecesse o Dumbo, seria uma mentira, caso não conhecesse. Exagero, pois ela pode ter imaginado o elefante voar como o Dumbo, impressionada que ficou com as orelhas dele que lhe foram gigantescas por serem bem maiores do que seu próprio tamanho. Então, ensinamos à criança que o que ela fez foi um exagero (Dumbo voa) ou uma mentira (um elefante não voa).

Seria uma omissão mentirosa se a criança viu o elefante e dissesse que não viu e pode também acontecer da criança sequer ter visto o elefante de tanto que ficou impressionada com o material fecal...

Pais extremamente severos e bravos desenvolvem filhos medrosos. Por medo uma criança pode mentir para se poupar das reações violentas dos pais. Uma mentira de autoproteção. Pode omitir fatos dos irmãos para também poupá-los dos pais. Quanto mais os pais exigirem que falem a verdade, mais os filhos se fecharão e embutirão suas fantasias e imaginações, prejudicando o desenvolvimento psicológico e amadurecimento deles. A educação é ensinar os filhos a separarem o fato de suas imaginações e fantasias.

É comum uma criança simplesmente pegar um objeto do coleguinha da escola e voltar para casa com ele. A criança quis o objeto e o pegou. Nem pensou no dono dele. Quando chega em casa, diante da reação dos pais que já ficam bravos com ela, dizendo que ela “roubou o objeto do coleguinha e isso não se faz”, ela pode querer se safar e dizer que “achou” ou que “alguém deu para ela”. É uma mentira de autoproteção. Os pais ficam mais furiosos, pois além de roubar do coleguinha ainda mente para os pais. Muito melhor seria educar a criança explicando que isso não se faz, que o coleguinha pode gostar tanto do objeto quanto ele gostou, que o coleguinha vai chorar quando sentir a falta dele como também ficaria triste se o coleguinha fizesse isso com ele. Os pais poderiam perguntar à criança o que o coleguinha gostaria que ela fizesse.

Os pais devem ensinar à criança a pedir desculpas ao coleguinha e devolver-lhe o objeto e explicar que quando percebeu o que fez já pensou em devolver a ele.

É assim que uma criança aprende que não se deve pegar nada dos outros e que cuide dos seus próprios objetos, isto é, aprenda a não mentir, pois os pais poderão perder a confiança nela.

Devido à mentira ser a precursora das transgressões e contravenções, nas próximas colunas apresentarei a Mentira das Crianças Maiores e Mentira dos Adolescentes.


Içami Tiba
Içami Tiba é psiquiatra e educador. Escreveu "Pais e Educadores de Alta Performance", "Quem Ama, Educa!" e mais 28 livros