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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

LUGAR DE CRIANÇA É NA EDUCAÇÃO INFANTIL


O início do ano letivo é marcante para pais e comunidade escolar, pois representa um período de expectativas, dúvidas, curiosidades e anseios. Na perspectiva da Educação Infantil, isso se reflete ainda mais pois, trata-se das primeiras experiências da trajetória escolar da criança, que com certeza, refletirão por toda sua vida. Por isso, este segmento recebe a devida importância no histórico de cada um dos envolvidos.
Por Nayara Barrocal
É comum, para nós educadores, nos depararmos com pais e mães a se questionarem acerca da importância das crianças frequentarem a escola desde a educação infantil. Por que tão cedo na escola? Ir pra escola só pra brincar? E se a professora não cuidar bem dela?
Os questionamentos são muitos e constantes, mas a Pedagogia explica com eficácia a relevância de a criança estar na escola, desde cedo para que possa vislumbrar um futuro educacional e social com maiores garantias de sucesso e realizações.
Entrar na escola desde cedo promoverá para a criança, algumas situações que ele precisará enfrentar: se separar dos pais momentaneamente, dividir os pertences, bem como o espaço, respeitar regras, etc. Estes, serão considerados pontos negativos nesta trajetória inicial, mas os ganhos serão mais significativos.
Um desses ganhos, sendo um dos mais valiosos, é que a criança na escola de educação infantil, será acompanhada e orientada por uma pessoa habilitada, que possui conhecimentos acerca das fases do desenvolvimento infantil e que poderá favorecer o sucesso das crianças no sentido de avançar no seu desenvolvimento de forma segura e eficaz.
O desenvolvimento social, um dos pontos positivos neste processo, está garantido, pois o contato com outro da mesma faixa etária oportunizará a socialização com índice maior de tolerância, e a criança se tornará alguém que compartilha, divide, respeita e ama o seu semelhante.
Já no aspecto intelectual, também se registram pontos importantes no desenvolvimento infantil, pois as propostas desenvolvidas com intencionalidade educativa pelo professor de educação infantil oferecerão conhecimentos pedagógicos que despertarão noções básicas e fundamentais para que esta criança se torne um bom aluno nos demais segmentos educacionais.
O convívio em grupo na escola, para a criança na primeira infância, é altamente positivo, pois além de estimular o social e o intelectual, reflete também no emocional. A criança entenderá de fato, o seu papel na comunidade da qual é componente, utilizando a emoção como fonte principal para agir com os colegas, vizinhos, familiares e outros. Desta forma, além de bom aluno, se tornará bom cidadão.
Sendo assim, é possível relatar que através de observações como alfabetizadora, é perceptível que a criança que vai a escola anteriormente a esta etapa da educação, apresenta facilidade em vivenciar esta e atingir os objetivos pré-estabelecidos. O mesmo, não ocorre com a criança que não foi a escola na educação infantil, a tendência é que esta, passe por momentos de timidez, introspecção, egocentrismo e dificuldade em se relacionar com outras crianças, o que por muitas vezes,pode desencadear problemas com a auto-estima..
Aos pais, é importante que se destaque a importância da escolha da escola para a criança, esta definição deve ser realizada conforme fonte de pesquisa cautelosa, onde possa escolher com tranqüilidade, atendendo aos anseios destes e estabelecendo o vínculo de confiança entre ambas instituições sociais, de forma a garantir o sucesso da criança no ambiente escolar.
Aos professores, cabe receber estas crianças com responsabilidade, compromisso, planejamento com embasamento teórico e afetividade. Estes elementos garantem o elo entre as figuras principais deste cenário aqui descrito.
Neste sentido, decorrendo por todos os princípios que embasam a educação infantil de qualidade, entende-se que quanto mais cedo a criança for a escola, ela poderá vislumbrar um futuro educacional e social de maior relevância.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A avaliação na Educação Infantil


Chegando fim de ano, nos preocupamos com os relatórios e os portfólios, instrumentos mais adequados de avaliar nossas crianças na Educação Infantil. Mas, apesar de nosso empenho em dedicar este momento para produções ricas e agradáveis aos olhos, precisamos nos atentar que o foco não deve estar nas palavras bonitas dos relatórios ou nas capas diferentes e criativas dos portfólios.
Devemos nos ater a impressionar os pais e familiares com as descobertas e conquistas das crianças e não com os "frufrus".
Para isso, deixo aqui algumas indicações de como avaliar corretamente neste segmento:

• Observar e compreender o dinamismo presente no desenvolvimento infantil é fundamental para redimensionar o fazer pedagógico. Essa compreensão influenciará diretamente na qualidade da interação dos professores com a infância.

• O conhecimento de uma criança é construído em movimento de idas e vindas, portanto, é fundamental que os professores assumam seu papel de mediadores na ação educativa. Mediadores que realizam intervenções pedagógicas no acompanhamento da ação e do pensamento individualizado infantil.

• Ainda hoje, na prática cotidiana, é comum, não só na Educação Infantil, como nos demais níveis de ensino, os avaliados serem só os alunos. É necessário que a clássica forma de avaliar, buscando “erros” e “culpados", seja substituída por uma dinâmica capaz de trazer elementos de crítica e transformação para o trabalho.

• Nesse processo, todos – professores/recreadores, coordenação pedagógica, direção, equipe de apoio e administrativa, crianças e responsáveis – devem sentir-se comprometidos com o ato avaliativo.

• Para focar o olhar em como se avalia, sugere-se atenção aos pontos abaixo, nos espaços de Educação Infantil:
Análises e discussões periódicas sobre o trabalho pedagógico.
Estas ações são realizadas nos encontros periódicos. Elas fornecem elementos importantes para a elaboração e reelaboração do planejamento. Igualmente importante é dar voz à criança. Nesse sentido, a prática de avaliar coletivamente o dia-a-dia escolar, segundo o olhar infantil, traz contribuições fundamentais e surpreendentes para o adulto educador, ao mesmo tempo que sedimenta a crença na concepção de criança cidadã.

Observações e registros sistemáticos.
Os registros podem ser feitos no caderno de planejamento, onde cada professor/recreador registra acontecimentos novos, conquistas e/ou mudanças de seu grupo e de determinadas crianças, dados e situações significativos acerca do trabalho realizado e interpretações sobre as próprias atitudes e sentimentos.
É real que, no dia-a-dia, o professor/recreador não consiga registrar informações sobre todas as crianças do seu grupo, mas é possível que venha a privilegiar três ou quatro crianças de cada vez e, assim, ao final do período, terá observado e feito registro sobre todas as crianças.

Utilização de diversos instrumentos de registro.

Para darmos espaço à variada expressão infantil, arquivos contendo planos e materiais referentes aos temas trabalhados, relatórios das crianças e portfólios podem ser utilizados como instrumentos de registro de desenvolvimento.
O professor/recreador deve organizar um dossiê de cada criança, guardando aí seus materiais mais significativos e capazes de exemplificar seu desenvolvimento.
Também durante a vivência de um projeto de trabalho, cada grupo deve ter como meta a produção de um ou mais materiais que organize o conhecimento constituído acerca do assunto explorado. Assim sendo, o arquivo de temas é o dossiê do projeto realizado pelos grupos de uma mesma instituição.

Construção de um olhar global sobre a criança

A fim de evitar um ponto de vista unilateral sobre cada aluno, é fundamental buscar novos olhares:
- Recolhendo outras visões sobre ela.
- Contrastando a visão dos responsáveis com o que se observa na escola/creche.
- Conhecendo o que os responsáveis pensam sobre o que a escola/creche diz.
- Refletindo sobre o que a família pensa em relação aos motivos de a criança comportar-se de determinada forma na escola/creche.
- Ouvindo a família sobre como pensa que poderia auxiliar a criança a avançar em seu desenvolvimento.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Qual é a importância da rotina na educação infantil?





Uma rotina estável, clara e compreensível permite que as crianças a incorporem, podendo antecipar o que irá acontecer em seguida. Isso oferece uma sensação de segurança a elas, o que, por sua vez, permitirá que elas atuem com maior autonomia e tranqüilidade no ambiente escolar.
Rotina estável, entretanto, não significa rigidez e inflexibilidade. É importante que o professor possa organizar o tempo levando em consideração seu planejamento, mas podendo contar com a possibilidade de alterá-lo de acordo com suas próprias necessidades e a de seu grupo também. Rotinas iguais não servem para grupos diferentes. A rotina que nunca muda torna o trabalho do professor monótono e repetitivo e pouco interessante para seus alunos. Assim, mesmo que a leitura de história aconteça todos os dias (e é desejável que aconteça), o professor pode pensar em maneiras diferentes de fazê-la: num dia pode ler em um ambiente da escola; em outro, fazer uma cabana onde os alunos entrem para ouvir a história; apagar as luzes e acender uma vela para dar um ar diferente ao ambiente; contar uma história em vez de simplesmente ler; pedir que um outro adulto da escola venha ler uma história e assim por diante. Da mesma forma, um professor deve ter independência não só para mudar seu planejamento, mas também para não se sentir obrigado a realizar todas as atividades previamente indicadas.

A construção da identidade na Educação Infantil





Uma criança não é uma criança para ser pequena,
mas para tornar-se adulta.
CLAPARÈDE, p.30,2004


É inegável que os seres humanos são desde o nascimento, condicionados e influenciados por modelos e exemplos de outros seres humanos que os rodeiam. Também é indiscutível que a formação do adulto íntegro, descente e humano nasce juntamente com o feto na barriga da mãe. Saber identificar suas preferências, reconhecer seus limites, conhecer-se, são ações que se iniciam desde quando nascemos e têm o seu término no final de nossas vidas, são influenciadas pela sociedade e a cultura das quais participamos.

Toda conduta é ditada por um interesse;
toda ação consiste em atingir o objetivo que é
mais urgente naquele momento determinado.
CLAPARÈDE, p.32,2004

A escola tem um papel de fundamental importância na construção da identidade autônoma de cada criança que passa por seus bancos escolares, principalmente na creche, onde temos crianças com a faixa etária de até 3 anos de idade, onde os indivíduos estão mais disponíveis à aprendizagem, ao se identificar com o modelo de ser humano que lhe é apresentado.
É importante reconhecer o trabalho desenvolvido pelos educadores que trabalham com crianças na creche, numa faixa etária de até 3 anos, pois é através deles que ocorre a estimulação para a longa caminhada de construção da identidade. Em contrapartida também é válido lembrar das possibilidades de traumas e exemplos negativos que esse mesmo facilitador pode cometer.
De acordo com o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, a identidade tem a função de distinguir, marcar as diferenças, sejam elas, físicas, emocionais e comportamentais, dos indivíduos.
Sendo assim, de nada adianta prepararmos planejamentos especiais para trabalhar a identidade, se não é respeitado o ritmo de cada criança em sala de aula.
É imprescindível que o educador atuante na fase inicial do processo de construção da identidade promova situações onde a criança reconheça suas particularidades e interaja com outras crianças, seja qual for a faixa etária.
Enfim, é muito importante considerar que enquanto educadores, somos sim responsáveis pelos seres humanos que teremos em nossa sociedade num futuro não tão longínquo e mais do que isso, somos responsáveis pelo futuro deste país já tão massacrado.

REFERÊNCIAS
CLAPARÈDE. Édouard, in FERRARI. Márcio. Um pioneiro da psicologia das crianças. Revista Nova Escola, ed. Novembro/2004

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Teatro Poético: A Educação Infantil dos nossos sonhos



* Por Nayara Barrocal
Personagens: Dorotéia centopéia ( D.C.) e Caco Currupaco (C.C.)

D.C.
A Educação Infantil é um segmento diferente
Tem criatividade, inventividade, arte bela
E tem uma forma de ensinar que é só dela.

C.C.
Matemática, Linguagem Oral e Escrita também tem, mas também tem dança
Ufa! Ainda bem, porque senão a gente cansa.

D.C.
Tem a Natureza e Sociedade num mundo de cientista e historiador... uma delícia!
Aprendendo desta maneira, aqui ninguém pode ter preguiça.

C.C.
Quando a gente fica muito tempo em sala, a professora chama
E uma voz vindo lá de fora avisa: Chega minha gente, tá na hora de brincar daquilo que a gente ama.

D.C.
A escola é um lugar todo colorido, alegre, cheio de literatura, cidadania e animação
Parece até a casa da gente, preparada com muita emoção.

C.C.
Mas Educação Infantil é coisa séria, nela aprendemos muitos valores: respeitar, cuidar, escutar,
Se em um dia não deu certo, no outro dia vai dar.

D.C.
Aqui não tem tempo fechado, não tem ninguém mal humorado
Se uma criança não sabe direito, vem outra e dá um jeito, todos se ajudam com respeito.

C.C.
É claro que tem palhaçada, bagunça, confusão
Mas no fim tudo se resolve, sem muita chateação.

D.C.
Chamamos de Educação Infantil dos sonhos
Cada qual a vê de um jeito
Um jeito que a gente deseja
Como um sonho perfeito.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Linha do Tempo da Educação Infantil





* Por Nayara Barrocal





De forma simplificada, posto aqui, uma Linha do Tempo da Educação Infantil com a intenção de que cada um que a acesse possa refletir acerca da trajetória difícil que nós, educadores precisamos trilhar para conseguir todos os avenços que hoje destacamos.
É preciso valer, todas estas conquistas até para que estas, sejam sempre frequentes e enriquecedoras para todos que lutam por estas vitórias.
É muito bom sabe rque eu, que você faz parte destes avanços, desta trajetória de obstáculos, preconceitos e de descobertas que melhoram a cada dia a educação na primeira infância.




Histórico da Educação Infantil







  • Antes de 1500, a categoria criança não existia. A criança era vista como um adulto em miniatura, sem especificidas, nem vontades próprias, nem identidade. Elas acessavam a educação formal por meio de ensinamentos oferecidos por professores particulares, ou seja, apenas quem detinha poder e dinheiro garantiam a educação nesta época.




  • De 1500 a 1600, começou a ser entendida a importância de se conceber a infância como categoria social, porém ainda vista como o adulto pequeno.




  • A partir do século XVII, a criança passou a ser respeitada como tal, então timidamente, a sociedade como um todo passou a vê-la como um ser especial que possuía sentimentos, vontades, características próprias, necessidades com base em seu desenvolvimento físico e mental.




  • De 1701 a 1800, mais ou menos, foi criada a escola como um lugar de ordem para as crianças da elite. Ainda não se diferenciava os segmentos, era uma unidade que contemplava o ensino de forma global, igual.




  • No século XIX, surgiu o primeiro Jardim de Infância pelas mãos e ideias de Froebel, o pai do lúdico, que com sua determinação na educação e amor pelas crianças, foi considerado o iniciador destes com suas propostas através do brinquedo, o estudo da antureza e o trabalho manual.




  • No Brasil, em meados de 1800, foi crada em Slavador na Bahia, a primeira iniciativa de atendimento a meninos e meninas abandonados.




  • Em meados de 1900, a Educação Infantil passou a receber grande atenção de teóricos como Piaget, que contribuiu significamente dentre tantos temas, através dos Estágios do Desenvolvimento Infantil.




  • Em 1933, em Teresina, no Piauí, o primeiro Jardim de Infância oficial do Brasil surge, chamado Lélia Avelino.




  • Em 2011, agradecemos a todos aqueles que acreditaram na importância deste segmento para contemplar o objetivo principal da LDB: À Educação Infanil compete o desenvolvimento integral da criança.








sexta-feira, 8 de julho de 2011

Jogos e Brincadeiras na Educação Infantil


Os jogos e brincadeiras reservam lugar especial no dia a dia da Educação Infantil, já que os mesmos contribuem efetivamente no desenvolvimento integral da criança.
*Por Nayara Barrocal

Atualmente os jogos e a brincadeiras assumem lugar de destaque no contexto educativo infantil, deixando de ser relacionados à condição de prazer, liberdade ou relaxamento, quando as crianças eram estimuladas a vivenciá-los também ou apenas para “gastar energias”. Os mesmos possuem reconhecimento de toda comunidade escolar de que são imprescindíveis para que possamos estimular o desenvolvimento integral das crianças, atingindo este objetivo principal da Educação Infantil com base no artigo 29 da LDB.
Os jogos e as brincadeiras ganharam nova concepção quando o seu papel foi alterado na sala de aula de Educação Infantil e desta forma, estabeleceram uma relação mais ampla com a rotina deste segmento, no sentido de que o brincar por ser de natureza social, corresponde à necessidade que as crianças apresentam desde a mais tenra idade, de se comunicar e compartilhar de uma vida simbólica com os demais semelhantes.
Diante disso, independentemente da época, raça, cultura, classe social, enfim tudo que se queira considerar, o fato é que todas as crianças brincam e gostam muito de participar de brincadeiras e jogos com ou não intencionalidade do adulto. O brincar é uma atividade natural e social da criança, e antes de brincar com objetos a criança brinca consigo mesmo e com os outros, brinca de abrir e fechar os olhos, com as mãos e os pés, com seu corpo, descobrindo-se e comunicando-se.
A criança utiliza-se dos jogos e brincadeiras para explorar, descobrir, apreender a realidade e desta maneira obter fontes de autodescoberta, prazer e crescimento. Ela estabelece ainda a ligação entre o que possui dentro de si ( idéias, fantasias, desejos, sentimentos) e o que existe fora dela ( o cotidiano, fatos, coisas, outras pessoas).
Quando se envolve em jogos e brincadeiras, a criança se empenha para brincar da mesma forma que se esforça para aprender a andar, falar, comer. Durante o brincar, ela pode desenvolver algumas capacidades como: atenção, imitação, memória, imaginação, bem como também competências para a vida coletiva, social, através da interação e da utilização das experiências concretas na sua vida diária, através dos jogos de faz de conta, de brincadeiras com regras e de jogos com materiais de construção.
O valor das brincadeiras e dos jogos para o desenvolvimento pessoal da criança deve ser ressaltado, pois os mesmos contribuem para a vida social, bem como, são fatores preponderantes para aquisição de novos conhecimentos. Nesse sentido, a criança ao brincar, imita, imagina, recria, representa, comunica-se com as pessoas, assume papéis sociais, personagens, descobrindo-se e analisando o mundo a sua volta. Além de favorecer a auto-estima das crianças de forma criativa, auxiliando-a a compreender e interagir com o mundo em que vive, contribuindo para interiorização de determinados modelos no interior de grupos sociais diversos.
O brincar nesta perspectiva, é uma atividade sócio-cultural, originada nos valores, hábitos, normas de uma determinada comunidade ou grupo social. Apresenta-se esta característica à medida que as crianças brincam com aquilo que já sabem ou imaginam que sabem sobre as formas de relacionar-se, de viver em grupos, de interagir com o meio ambiente e os componentes de um determinado grupo social como a família, a escola ou a comunidade ao qual pertencem e outras realidades.
Para que as crianças sejam ativas e criativas no brincar, demonstrando interesses e necessidades, é imprescindível que haja riqueza e diversidades lúdicas no recinto escolar, dando as brincadeiras e os jogos valor educativo não apenas porque atualiza ou incorpora conhecimentos prévios infantis, mas, sobretudo por que permite sua generalização e conscientização através do desempenho de papéis, manipulação com a realidade que circunda, dando a elas uma vida social significativa e, acima de tudo, como agentes pensantes, atuantes e críticos, cidadãos imersos na sua sociedade. Nesse sentido, o seu agir e forma de pensar o mundo precisa ser respeitado, valorizado e aproveitado para que os educandos sejam capazes de gerir sua própria vida com autonomia e independência, características essenciais para um mundo globalizado.
E conceber uma educação direcionada à autonomia, significa considerar a criança como um ser capaz e competente para construir conhecimentos, dentro de suas possibilidades, interferirem no meio em que vivem. E as brincadeiras e jogos são elementos essenciais para que isto ocorra, pois favorecem a integração, conhecimentos, respeito, atitudes, resolução de conflitos, dando-as oportunidade, espaço para escolhas diversificadas e seguras no momento em que brincam em pequenos grupos, incentivando-as com desafios para que rompam seus conflitos internos e externos e atuem diretamente no meio em que vivem, através das suas vivências pessoais e sociais.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

O QUE OS TEÓRICOS FALAM SOBRE OS BEBÊS?



A grande maioria das profissionais envolvidas com as turmas de Berçário reclama da pouca fundamentação teórica existente, das poucas atividades e possibilidades de brincadeiras para realizar no dia-a-dia da creche. Nos últimos anos tivemos muitas contribuições nos estudos à cerca dessa faixa etária, mas é possível encontrarmos muito a respeito do que fazer com bebês em três grandes teóricos: Piaget, Vygotsky e Wallon.
Então o que dizem os teóricos sobre a faixa etária de 0 à 2 anos? Para essa resposta vou me basear principalmente nas anotações que realizei durante a segunda formação continuada das turmas de Berçário da cidade de Esteio/RS realizada no ano de 2008.
Começo essa fundamentação teórica sobre o trabalho com bebês com o estudioso Henri Wallon (1872-1962). Para Wallon a emoção é o principal mediador das relações da criança com o meio e ela se desenvolve pelo conflito. Na teoria de Wallon (apud GALVÃO, p. 60) o bebê pouco a pouco vai estabelecendo um contato mais intimo com o que o cerca, dando correspondência a seus atos, passando também pelos estágios de desenvolvimento que são diferenciados e caracterizados por necessidades e interesses específicos da criança.
No estágio impulsivo-emocional, o bebê reage às sensações através de descargas musculares e movimentos descordenados. Quando esses movimentos despertados pelas sensações vão sendo identificados pelos adultos é que o bebê começa a se desenvolver, há um elo de comunicação do bebê com o meio, constituindo novas formas de pensamento. Por isso, a importância na qualidade das interações que são oferecidas aos bebês.
Ainda na faixa etária de 0 à 2 anos, temos o estágio sensório-motor em que acontece a manipulação de objetos através da boca e isso por que, na verdade, a boca se constitui como o único local que possui movimentos coordenados. Enquanto leva os objetos à boca o bebê também começa a coordenar os movimentos das mãos e dos braços. Essa manipulação de objetos vai ser facilitada pela marcha (primeiros passos) e pelo inicio da fala.
Wallon também fala sobre a importância da criança se apropriar do espaço em que está inserida e de como o espaço infantil (no nosso caso a escola, a sala de aula) deve ser para a criança um campo de atividades que vão sendo ampliadas. Assim, “os aspectos físicos do espaço, as pessoas próximas, a linguagem e os conhecimentos próprios a cada cultura formam o contexto do desenvolvimento (GALVÂO, 1995, p. 39). Antes de trazer um pouco do estudo de Vygotsky (1897-1934), penso ser importante mencionar que o interesse dele no estudo da infância, se deve ao fato de querer comprovar que o desenvolvimento é socialmente constituído.
Para esse teórico, “desde os primeiros dias do desenvolvimento da criança, suas atividades adquirem um significado próprio num sistema de comportamento social [...]” (VYGOTSKY, 1984, p. 33). Ele justifica assim, a importância da interação do adulto com a criança, levando-a a significar culturalmente o meio em que está inserido, sempre se desenvolvendo através das mediações e interações do outro.
Vigotsky trás na sua teoria o conceito de zona de desenvolvimento real que se caracteriza pelas etapas já alcançadas pela criança, sendo aquilo que ela já sabe e a partir disso, nos chama a atenção para trabalharmos na zona de desenvolvimento proximal ou potencial da criança, definindo esse conceito como as funções que ainda não foram alcançadas ou que são realizadas com a ajuda do outro.
Justifica-se aí a intencionalidade das salas com desafios planejados, criados de acordo com a zona de desenvolvimento real dos bebês, mas com vistas para o que ainda poderão alcançar e amadurecer. É na zona de desenvolvimento proximal que deve ocorrer a intervenção pedagógica e as interações do bebê com o educador e com o ambiente.
Vygotsky acredita no desenvolvimento da aprendizagem através da interação e da imitação. Para esse pesquisador, ” imitar não é uma mera cópia do modelo, mas uma reconstrução individual do que é observado nos outros”(OLIVEIRA, 1993, p. 63). A imitação aparece como uma possibilidade de se reconstruir o que se percebe externamente. Assim, a imitação se relaciona com o processo de desenvolvimento proximal quando, por exemplo, um bebê (após constante interação com o adulto cuidador) imita seus atos, ou os chamados jogos gestuais (dar beijinho, fazer careta, barulhos com a boca). A imitação permite à criança que ela supere suas capacidades, porém ela avança só o que lhe permite seu nível de desenvolvimento, possibilitando compreender o outro e o ambiente.
O último teórico que trago é Jean Piaget (1896-1980), que no trabalho a ser realizado com bebês fala sobre o estágio sensório-motor que ocorre mais ou menos do zero aos 2 anos. Nesse estágio as percepções são marcadas não pela representação do objeto, mas sim sobre a ação direta da criança sobre ele. As interações que ocorrem entre o bebê e um objeto é uma maneira de explorar, tentar conhecer, comparar com outros esquemas já conhecidos também através da manipulação.
Piaget também trás alguns conceitos que devem ser colocados como intencionalidades ou habilidades a serem desenvolvidas com bebês. A noção de objeto permanente, ou seja, o bebê não está convencido de que quando um objeto desaparece diante dele, pode encontrá-lo de novo. São as interações, brincadeiras (lembram da brincadeira do paninho?) e conversas que o ajudarão a ter essa percepção.
É também no estágio sensório motor que temos a possibilidade do começo do trabalho com as idéias de espaço (materiais e corporais), tempo (duração e sucessão de eventos), causalidade (relação que une a causa a seu efeito – apagar e desligar a luz é uma ótima descoberta!) e de reversibilidade (tem a possibilidade de retornar).
Sabendo dessas teorias, e trazendo-as para dentro do espaço da sala de aula através de ações, materiais e interações, estaremos contemplando o bebê enquanto aluno e enquanto sujeito ativo do seu conhecimento.

A afetividade na Educação Infantil




Na teoria de Jean Piaget, o desenvolvimento intelectual é considerando como tendo dois componentes: o cognitivo e o afetivo. Paralelo ao desenvolvimento cognitivo está o desenvolvimento afetivo. Afeto inclui sentimentos, interesses, desejos, tendências, valores e emoções em geral.

La Taille & Vygotsky (apud La Taille et al., 1992), explicam que o pensamento tem sua origem na esfera da motivação, a qual inclui inclinações, necessidades, interesses, impulsos, afeto e emoção. Nesta esfera estaria a razão última do pensamento e, assim, uma compreensão completa do pensamento humano só é possível quando se compreende sua base afetivo-evolitiva.

No âmbito da educação infantil, a inter-relação da professora com o grupo de alunos e com cada um em particular é constante, dá-se o tempo todo, na sala, no pátio ou nos passeios, e é em função dessa proximidade afetiva que se dá a interação com os objetos e a construção de um conhecimento altamente envolvente.
Essa inter-relação é o fio condutor, o suporte afetivo do conhecimento, neste caso, o educador serve de continente para a criança. Poderíamos dizer, portanto, que o continente é o espaço onde podemos depositar nossas pequenas construções e onde elas tomam um sentido, um peso e um respeito, enfim, onde elas são acolhidas e valorizadas, tal qual um útero acolhe um embrião.

A escola, por ser o primeiro agente socializador fora do círculo familiar da criança, torna-se a base da aprendizagem se oferecer todas as condições necessárias para que ela se sinta segura e protegida. Portanto, não nos restam dúvidas de que se torna imprescindível a presença de um educador que tenha consciência de sua importância não apenas como um mero reprodutor da realidade vigente, mas sim como um agente transformador, com uma visão sócio-crítica da realidade.

A criança ao entrar na escola pela primeira vez, precisa ser muito bem recebida, porque nessa ocasião dá-se um rompimento de sua vida familiar para iniciar-se uma nova experiência, e esta deverá ser agradável, para que haja um reforço da situação.

O profissional da educação procura alternativas e se depara inúmeras vezes com a dificuldade que tem em enfrentar os desafios do aluno, com as suas próprias deficiências e, sobretudo, em se ver fazendo parte neste processo, que é antes de tudo uma troca, possibilita uma busca de transformações para o processo de ensino diário. Somente quando o professor vir que não vê é que algo novo poderá surgir. O afeto do professor, a sua sensibilidade e a maneira de se comunicar vão influenciar o modo de agir dos alunos. Se o professor se expressa de forma agradável ou de forma dura, criará mais motivação no aluno do que um ambiente neutro. Contudo, tal expressão deve ser moderada; nem amigável demais, nem exageradamente dura. O afeto refere-se a atitudes e sentimentos expressados ou presentes no ambiente.
Sua maneira de ser, atuar e falar é muito significativa. O professor pode ser frio, distante, desinteressado ou pode ser alegre, amável e se interessar pessoal e individualmente pelos alunos. Também a sala pode ser fria, sem nenhuma decoração, ou pode ter avisos, quadros, plantas, animais e trabalhos artísticos. Isto vai afetar os sentimentos e atitudes dos alunos.

Um ambiente frio e triste não produz motivação para aprender. A sala deve ter cores e decorações para criar um ambiente de aceitação.
Por "tom afetivo" não devemos entender que o educador deva se comportar como um aluno, ou que não exija respeito. Ele pode ser muito amável e até amigável, sem se pôr a brincar com eles.

Quando a criança nota que a professora gosta dela, e que a professora apresenta certas qualidades como paciência, dedicação, vontade de ajudar e atitude democrática, a aprendizagem torna-se mais facilitada; ao perceber os gostos da criança, o professor deve aproveitar ao máximo suas aptidões e estimulá-la para o ensino.

Ao contrário, o autoritarismo, inimizade e desinteresse podem levar o aluno a perder a motivação e o interesse por aprender, já que estes sentimentos são conseqüentes da antipatia por parte dos alunos, que por fim associarão o professor à disciplina, e reagirão negativamente a ambos.

A todo o momento, a escola recebe crianças com auto estima baixa, tristeza, dificuldades em aprender ou em se entrosar com os coleginhas e as rotulamos de complicadas, sem limites ou sem educação e não nos colocamos diante delas a seu favor, não compactuamos e nem nos aliamos a elas, não as tocamos e muito menos conseguimos entender o verdadeiro motivo que as deixou assim.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

FUNDAMENTOS E METODOLOGIAS DO CUIDAR, EDUCAR E BRINCAR


O que é cuidar?
O que é educar?
O que é brincar?
Como estes aspectos são trabalhados na Educação Infantil?

*Por Nayara Barrocal

O Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil (RCNEI), documento do MEC, que fundamenta este segmento educacional apresenta a tríade que contempla o cuidar, o educar e o brincar com as crianças de 0 a 5 anos, porém, nem tudo é como o mesmo define.
Nos últimos anos os debates acerca da Educação Infantil têm apontado a necessidade de que as instituições incorporem de maneira integrada o cuidar, o educar e o brincar. No entanto, esta nova visão enfrenta grandes barreiras diante da história do atendimento as crianças pequenas, principalmente crianças pobres, em cunho meramente assistencialista.
Modificar esta concepção de educação assistencialista significa atentar para questões que vão além dos aspectos legais. Embora tenhamos uma ampla legislação na área da Educação Infantil, ela na assegura a qualidade no atendimento a estas crianças.
Precisamos, enquanto educadores, entender que quando brincamos, cuidamos, quando cuidamos, educamos, e quando educamos, brincamos. E é nessa perspectiva que temos que encaminhar as crianças nesta etapa da vida educacional, pois perceber a indissociabilidade das ações do brincar, cuidar e educar significa que a criança é compreendida como cidadã em processo de desenvolvimento, ou seja, se houver a sentença: Brincar + Educar + Cuidar = o resultado será o desenvolvimento infantil coerente e efetivo.
Estas ações são importantes para a formação social, intelectual, psicológica da criança, mas em especial o brincar, reflete mais relevância, pois é inerente do ser humano, especialmente quando ainda somos bem pequenos, já que através das brincadeiras, a criança se diverte infantilmente com flexibilidade, com aprendizagens acerca da vida, do mundo, do outro.
Delors apresenta a nós educadores o quatro pilares da educação. Segundo o autor, todo o processo educacional é sustentado por: aprender a conhecer; aprender a fazer; aprender a conviver; aprender a ser. E todos estes pontos são facilmente contemplados através do brincar, do educar e do cuidar na Educação Infantil.
Educar, cuidar e brincar são direitos constitucionais da criança, já que em 1988, a Constituição fez referência a este segmento educacional. garantindo o direito as crianças de serem atendidas e respeitadas em suas possibilidades.
Mas, o que significa respeitar a criança? Qual a nossa concepção de atendimento educacional após anos de promulgação das leis brasileiras?
Infelizmente, a intecionalidade destas leis não são atendidas na maioria das escolas infantis, já que hoje, o tempo para brincar é cada vez menor dentro e fora das escolas, e o cuidar e o educar viraram prioridades maiores,talvez por contemplarem os maiores desejos das famílias. E ainda temos que contar negativamente com os meios de comunicação que enclausuram nossas crianças, impedindo que brinquem e que portanto, diminuam a criatividade, e capacidade de pensamento.
Vale a pena refletir acerca desta realidade e nós, educadores, adotarmos nova postura, mais comprometida com a criança, que é o ponto chave do processo educacional na primeira infância.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Lugar de criança é na educação infantil



Por Nayara Barrocal

É comum, para nós educadores, nos depararmos com pais e mães a se questionarem acerca da importância das crianças frequentarem a escola desde a educação infantil. Por que tão cedo na escola? Ir pra escola só pra brincar? E se a professora não cuidar bem dela?
Os questionamentos são muitos e constantes, mas a Pedagogia explica com eficácia a relevância de a criança frequentar a escola, desde cedo para que possa vislumbrar um futuro educacional e social com maiores garantias de sucesso e realizações.
Entrar na escola desde cedo promoverá para a criança, algumas situações que ela precisará enfrentar: se separar dos pais momentaneamente, dividir os pertences, bem como o espaço, respeitar regras, etc. Estes, serão considerados pontos negativos para a crian,a no primeiro momento desta trajetória inicial, mas os ganhos serão mais significativos.
Um desses ganhos, sendo um dos mais valiosos, é que a na escola de educação infantil, será acompanhada e orientada por uma pessoa habilitada, que possui conhecimentos acerca das fases do desenvolvimento infantil e que poderá favorecer o sucesso das crianças no sentido de avançar no seu crescimento de forma segura e eficaz.
Na área social, um dos pontos positivos neste processo, está garantido, pois o contato com outro da mesma faixa etária oportunizará a socialização com índice maior de tolerância, e a criança se tornará alguém que compartilha, divide, respeita e ama o seu semelhante.
Já no aspecto intelectual, também se registram pontos importantes no desenvolvimento infantil, pois as propostas apresentadas com intencionalidade educativa pelo professor de educação infantil oferecerão conhecimentos pedagógicos que despertarão noções básicas e fundamentais para que esta criança se torne um bom aluno nos demais segmentos educacionais.
O convívio em grupo na escola, para a criança na primeira infância, é altamente positivo, pois além de estimular o social e o intelectual, reflete também no emocional. A criança entenderá de fato, o seu papel na comunidade da qual é componente, utilizando a emoção como fonte principal para agir com os colegas, vizinhos, familiares e outros. Desta forma, além de bom aluno, se tornará bom cidadão.
Sendo assim, é possível relatar que através de observações como alfabetizadora, é perceptível que a criança que vai a escola anteriormente a esta etapa da educação, apresenta facilidade em vivenciar esta e atingir os objetivos pré-estabelecidos. O mesmo, não ocorre com a criança que não foi a escola na educação infantil, a tendência é que esta, passe por momentos de timidez, introspecção, egocentrismo e dificuldade em se relacionar com outras crianças, o que por muitas vezes,pode desencadear problemas com a auto-estima..
Aos pais, é importante que antes da ida a escola pela criança, seja fonte de pesquisa cautelosa, onde possa escolher com tranqüilidade, atendendo aos anseios destes e estabelecendo o vínculo de confiança entre ambas instituições sociais, de forma a garantir o sucesso da aprendizagem da criança no ambiente escolar.
Aos professores, cabe receber estas crianças com responsabilidade, compromisso, planejamento com embasamento teórico e afetividade. Estes elementos garantem o elo entre as figuras principais deste cenário aqui descrito.
Neste sentido, decorrendo por todos os princípios que embasam a educação infantil de qualidade, entende-se que quanto mais cedo a criança for a escola, ela poderá ser presenteada com um futuro mais abrangente em todos os sentidos.